Carta aberta aos senadores da República Federativa do Brasil

Julho 8, 2009

Senhores

Honoráveis Senadores

Congresso Nacional da República Federativa do Brasil

Praça dos Três Poderes

Brasília.

No próximo dia 9 de julho será discutido o protocolo de adesão da Venezuela ao MERCOSUL, em uma audiência pública que será realizada na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado. Pelas razões que expomos na continuação, consideramos que permitir o ingresso da Venezuela constitui uma grave ameaça para a Segurança e Defesa do Brasil e de toda a região:

Primeiro: Hugo Chávez mantém estreitos vínculos com o narco-terrorismo colombiano. Quando as Forças Armadas da Colômbia deram baixa ao segundo homem das FARC, Raúl Reyes, Chávez fez um minuto de silêncio em honra de sua memória e enviou tropas à fronteira em sinal de protesto pela Operação Fênix. Os computadores confiscados de Reyes demonstram que as FARC proporcionaram financiamento a Chávez e evidenciam a cooperação que houve entre eles.

Segundo: Chávez promove o fundamentalismo islâmico na América Latina. O governo venezuelano se orgulha de seus nexos com o governo foragido de Ahmadinejad, e foi o mediador para que a Bolívia, o Equador e a Nicarágua assinassem incontáveis acordos com o governo iraniano. É pública e notória a simpatia que o Hezbollah e o Hamas demonstram para com Chávez.

Terceiro: O governo venezuelano é explicitamente anti-semita. Expulsou ignominiosamente o embaixador de Israel e influiu sobre o governo boliviano para que fizesse o mesmo. Permite a profanação de sinagogas. Invade instituições judias.

Quarto: Chávez se constitui em um elemento perturbador na região. Prova disto são as numerosas denúncias contra seu governo por intervir nos assuntos internos de outras nações. Há apenas uma semana, ameaçou enviar tropas a Honduras. Em março de 2008 ameaçou invadir a Bolívia. Chávez envia maletas repletas de petrodólares para financiar ilegalmente seus aliados em outras nações.

Quinto: Chávez comete delitos de lesa-humanidade. Em 11 de abril de 2002, o oficialismo recebeu a tiros uma manifestação gigantesca de cidadãos pacíficos e desarmados; posteriormente, culpou a oposição pelo ocorrido e mantém injustamente no cárcere os que trataram de impedir o massacre, como é o caso do comissário Iván Simonovis.

Sexto: O governo da Venezuela não luta contra o narcotráfico. Durante os últimos dez anos o tráfico de drogas se incrementou notavelmente. Chávez expulsou a agência anti-drogas norte-americana (DEA) da Venezuela.

Sétimo: O governo venezuelano não é democrático. Embora Hugo Chávez tenha chegado à presidência em 1998 por meio de eleições livres e transparentes, seu governo se deslegitimou no exercício do poder. Fechou meios de comunicação, entre eles o canal de televisão RCTV e ameaça fechar mais outros, como ocorre com a Globovisión. Persegue seus adversários políticos, como é o caso de Manuel Rosales, que precisou buscar asilo no Peru, e encarcera outros, como o ex-ministro da Defesa general Raúl Baduel. No momento de escrever estas linhas, o Prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, se encontra em greve de fome no escritório da OEA, em protesto aos atropelos de Chávez.

Oitavo: Chávez ataca a propriedade privada. Seu governo promoveu a confiscação de empresas e a invasão de fazendas, e disse publicamente que a propriedade privada não está garantida. Recentemente confiscou dezenas de empresas petroleiras na Costa Oriental do Lago Maracaibo.

Nono: O governo venezuelano promove uma educação comunista. Desde o ano de 2001 até a presente data, os setores vinculados à educação venezuelana denunciaram as tentativas do governo de modificar as leis e os programas de estudos, para implementar nesse país uma educação ideologizada, idêntica à que existe hoje em Cuba.

Décimo: Este mau exemplo pode contagiar a região. Consideramos que o governo venezuelano pode utilizar a plataforma do MERCOSUL para exportar seu projeto anti-democrático aos países que integram este organismo, particularmente o Brasil, uma vez que o próprio Chávez declarou publicamente sua intenção de replicar o modelo em outras nações.

Por todas estas razões, solicitamos respeitosamente aos honoráveis membros do Senado a adiar o ingresso da Venezuela ao MERCOSUL, ao menos até que se produza uma mudança de governo nessa nação irmã.

Muito atenciosamente,

Heitor De Paola

Maria das Graças Salgueiro

Marcelo Cypriano Motta

Delegados no Brasil da

União de Organizações Democráticas da América – UnoAmérica

CC: Alejandro Peña Esclusa – Presidente da UnoAmérica


Obama está levando os EUA à queda no marxismo, diz ex-jornal oficial da União Soviética

Julho 6, 2009

Fred Lucas

(CNSNews.com) — Um comentário publicado no jornal que outrora foi o jornal oficia da União Soviética anunciou a “descida dos EUA no marxismo” citando os baixos padrões educacionais, a eleição de Barack Obama como presidente e como o governo americano assumiu o controle da General Motors.

O artigo de opinião no Pravda, um dos jornais da era soviética ainda publicados na Rússia, levava a manchete “Capitalismo americano foi-se com um leve gemido”, e foi escrito por Stanislav Mishin, que dirige o blog “Mat Rodina”.

“Como o romper de uma grande represa, a queda dos EUA no marxismo está acontecendo numa velocidade espantosa, diante de um cenário de ovelhas (isto é, pessoas) passivas e desanimadas”, escreveu Mishin.

O artigo afirma que a queda dos EUA ocorreu em três fases:

“Primeira, a população foi idiotizada por meio de um sistema educacional politizado e de baixo nível baseado na cultura popular, em vez da educação clássica. Os americanos sabem mais sobre seus dramas de TV favoritos do que os dramas do governo federal que afetam diretamente a vida deles”.

Segunda, “a fé deles em Deus foi destruída, ao ponto em que suas igrejas — dezenas de milhares de diferentes ‘vertentes e denominações’ — se tornaram na maior parte pouco melhores do que circos de domingo e seus televangelistas e mega-igrejas protestantes mais importantes ficaram mais do que felizes de vender suas almas e rebanhos a preço de banana, a fim de estarem do lado ‘vencedor’ de um ou outro político pseudo-marxista”.

O artigo também disse: “Os rebanhos americanos rejeitaram Cristo na esperança de obter poder terreno. Até mesmo nossas igrejas ortodoxas nos EUA são escandalosamente liberais”.

“O colapso final”, disse o artigo do Pravda, “ocorreu com a eleição de Barack Obama. A pressa com que ele tem feito as coisas nos últimos três meses é realmente impressionante. Seus gastos e emissão de moeda estão batendo recordes, não só na curta história dos EUA, mas também do mundo. Se a situação continuar desse jeito por mais de um ano, e não há nenhum sinal de que não continuará, na melhor das hipóteses os EUA ficarão semelhantes à República de Weimer e na pior como o Zimbábue”.

Dando detalhes sobre o controle agora dominante do governo de Obama sobre a General Motors, Mishin mencionou como o governo americano demitiu o diretor executivo da GM e a “ousadia” de Obama de declarar que ele e outro grupo de palhaços nomeados por ele e que não foram eleitos agora reestruturarão a indústria automobilística inteira e até serão a garantia das políticas automobilísticas”.

O “primeiro-ministro russo Putin, menos de dois meses atrás, avisou Obama e Tony Blair da Inglaterra, para não seguirem a rota do marxismo, pois só leva ao desastre”, disse o artigo.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: CNSNews

Para ler tudo sobre Obama neste blog, clique aqui.


Artigo – Olavo de Carvalho

Julho 3, 2009

Credulidade sem fim

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 2 de julho de 2009

Incluo entre as maravilhas do mundo, sem a menor hesitação, a credulidade residual que a espécie humana concede ainda, transcorridas duas décadas da queda da URSS, à totalidade dos mitos culturais espalhados pela KGB. Se fosse preciso alguma prova da presteza servil com que as almas cedem ante a autoridade moral da mentira, essa seria mais que suficiente. As lendas mais estapafúrdias, as tolices mais deprimentes, as absurdidades mais flagrantes são ainda acreditadas como verdades de evangelho, não só nos círculos esquerdistas, mas até entre pessoas que se imaginam liberais e conservadoras. Volta e meia, quando contesto de passagem alguma dessas enormidades, meus leitores e “admiradores” se apressam em me enviar links e “fontes” que parecem me contraditar. Fazem-no ressalvando que não acreditam em nada disso, mas que se sentem desarmados para contestar essas fontes pessoalmente, deixando, portanto, ao meu encargo essa tarefa e colocando sobre as costas de um só a responsabilidade que seria de milhares.

É verdade que nunca houve no mundo uma organização – de propaganda ou de qualquer outra coisa – que se comparasse à KGB, com seus 500 mil funcionários em Moscou, milhões de agentes espalhados pelo mundo e orçamento secreto, ilimitado, inacessível até ao Parlamento soviético. Mas também é verdade que, após tantos exemplos que forneci com provas cabais, aqueles que tendem a concordar comigo teriam a obrigação de usar sua própria inteligência, de fazer suas próprias pesquisas e de me ajudar nesse esforço inglório em vez de sobrecarregar com uma multiplicidade de tarefas miúdas aquele que tem deveres mais altos a cumprir.

Esta semana, por exemplo, um leitor aponta-me o livro de Morgana Gomes, A Vida e o Pensamento de Karl Marx, no qual o físico Albert Einstein aparece como “uma das vítimas mais famosas do macartismo”. Como eu respondesse, pelo meu programa de rádio, que aquilo era mentira grossa, o remetente insistiu, afirmando que aparentemente Morgana Gomes se baseara em fontes idôneas, como por exemplo o livro The Einstein File de Fred Jerome, baseado no dossiê Einstein do FBI, e endossado até por sites insuspeitos de esquerdismo como www.americanheritage.com.

Como já expliquei dezenas de vezes, toda mentira é construída com pedaços da verdade, às vezes acrescentando alguns de pura invencionice, às vezes – na maior parte dos casos – apenas suprimindo os dados comparativos para deformar as proporções e o sentido dos fatos. Esse é precisamente o caso.

Como poderia Albert Einstein ser uma “vítima do macartismo” se nunca foi preso, nem interrogado, nem intimado por nenhuma autoridade federal americana, nem jamais perdeu seu emprego por pressões do governo? Se havia um dossiê sobre ele no FBI, era simplesmente pelo fato de que todos os cientistas sugeridos para contratação em projetos de energia atômica eram investigados, e o eram obrigatoriamente, como o são em qualquer país do mundo envolvido nesse tipo de empreendimento. Se J. Edgar Hoover se abstivesse de investigá-lo, pelo simples fato de ser Einstein um queridinho da mídia, estaria abrindo uma exceção ilegal e incorrendo em crime de prevaricação. Omitido esse dado óbvio, a simples existência do dossiê passa a valer como prova de “perseguição”.

No caso de Albert Einstein, a obrigação de investigá-lo era tanto maior porque ele mesmo, sem ser convidado, insistia obstinadamente em pedir sua inclusão no Projeto Manhattan (fabricação da bomba atômica), e foi por influência dele que o projeto contratou os serviços do Dr. Klaus Fuchs, que mais tarde se comprovou ser espião comunista e colaborador estreito do casal Rosenberg. Recentemente, a galeria Sotheby de Londres colocou à venda, em leilão milionário, nove cartas de Einstein que provam sua ligação amorosa secreta com Margarita Konenkova, identificada como agente da KGB nas memórias do espião soviético Pavel Sudoplatov, publicadas em 1995. Para piorar as coisas, Einstein era afiliado a pelo menos dezessete organizações de fachada a serviço da KGB, entre as quais o “Congresso Mundial contra a Guerra Imperialista”, a “Liga Americana contra a Guerra e o Fascismo” e o “Comitê Americano de Ajuda à Democracia Espanhola” (democracia que era, na verdade, uma ditadura genocida).

Hoover seria ele próprio um criminoso caso se abstivesse de coletar dados como esse e de informá-los ao governo americano. Tudo isso foi obtido com investigações discretas, sem que o suspeito fosse jamais intimado a dar uma só declaração, seja ao FBI, ao Comitê de Atividades Anti-americanas do Senado ou a qualquer outra entidade do governo americano. Que, com essa ficha de “companheiro de viagem”, Einstein continuasse a receber todo o apoio oficial e midiático para seu trabalho científico, sem ser jamais incomodado diretamente, prova apenas até que ponto a democracia é tolerante e bondosa para com seus inimigos. E, quando se sabe que hoje a teoria da relatividade é contestada como mera empulhação elegante – v. http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=teoria-da-relatividade-e-ideologia–e-nao-ciencia–defende-pesquisador&id=010130090527 –, é mesmo de se lamentar que tanta delicadeza de sentimentos seja desperdiçada com quem não a merece.

Porém, mais absurdo do que dizer que Einstein foi perseguido é pretender que o tenha sido pelo senador Joseph McCarthy. Não só o cientista jamais foi convocado para depor ante a famosa comissão McCarthy, mas esta nunca teve qualquer colaboração substantiva do FBI. J. Edgar Hoover foi um dos inimigos mais odientos de Joseph McCarthy e um dos responsáveis diretos pela destruição da sua carreira. McCarthy, sim, foi vítima do FBI. Sofreu nas mãos de Hoover o que Einstein jamais sofreu: teve seu telefone grampeado, sua correspondência violada, sua vida particular vasculhada e espalhada pelos jornais, seus assessores interrogados e todo o seu trabalho boicotado. Isso está abundantemente comprovado em três livros que todo interessado no assunto tem a obrigação de ler antes de sair fazendo de Einstein uma “vítima do macartismo”: McCarthy and His Enemies, de William F. Buckley Jr. e L. Brent Bozell (Washington, Regnery, 1954, reimpresso em 1995); Joseph McCarthy: Reexamining the Life and Legacy of America’s Most Hated Senator, de Arthur Herman (New York, The Free Press, 2000); e sobretudo Blacklisted by History: The Untold Story of Senator Joe McCarthy and His Fight Against America’s Enemies, de M. Stanton Evans (New York, Crown Forum, 2007). Hoje há evidências cabais de que todos os cinqüenta e tantos altos funcionários apontados por McCarthy como riscos de segurança para o governo americano tinham efetivamente ligações com a espionagem soviética e não eram riscos imaginários. McCarthy só errou ao presumir de suas forças e não medir o exato poderio do inimigo – poderio que ainda se exerce sobre as mentes e corações de tantos dos nossos contemporâneos.


O exemplo de Honduras

Julho 2, 2009

Mídia Sem Máscara

Nivaldo Cordeiro | 02 Julho 2009

Como entender a brusca mudança de poder político em Honduras? Confesso-lhe, caro leitor, que fiquei surpreendido, mas desta vez positivamente. Os fatos ainda não estão muito claros, mas já permitem uma análise desde o estrangeiro. É isso que pretendo fazer aqui.

Começo sublinhando as declarações da deputada hondurenha Marta Lorena Alvarado, transcritas na Folha de S. Paulo de hoje: “Aqui paramos Chávez e sua agenda. Isso é mais importante do que qualquer coisa, inclusive do que o reconhecimento internacional“.  Um fato desses é auspicioso e precisa ser acompanhado atentamente e apoiado pelos democratas de todo o mundo. Enfim alguém se dispôs a dar um basta à expansão da maré vermelha no continente.

E o que vemos? A covardia Urbi et Orbi. O novo governo hondurenho não recebeu apoio de ninguém. A razão principal, além do fato de que os Estado Unidos estão nas mãos da esquerda mais radical, dentro do espectro político daquele país, é que, depois de décadas de revolução grasmciana em toda a parte, o senso de perigo e o instinto do Bem e da ética em política perdeu-se. Vive-se diante da mística eleitoreira, como se qualquer aventureiro, porque formou uma maioria de votos em algum momento, tivesse a licença para fazer o que bem queira para se perpetuar no poder, inclusive negando a ordem constitucional que lhe deu o poder.

A minha amiga Graça Salgueiro, em artigo oportuno publicado no Mídia Sem Máscara, mostrou que a ação militar de deposição do presidente chavista foi um gesto legal, amparado constitucionalmente e ordenado pelo Poder Judiciário. Nem haveria que se falar em quebra da ordem constitucional, vez que as formalidades da transmissão de poder foram integralmente cumpridas. O que sublinho aqui é que, ainda que essas formalidades não tivessem sido cumpridas, os homens de bem, conscientes de seus deveres, deveriam ter agido da mesma forma e pôr o golpista para correr. Quero render a minha homenagem ao chefe do Poder Judiciário, que determinou, e ao comandante militar, que fez cumprir a grande ordem.

O formalismo eleitoreiro não pode ser biombo para esconder as trapaças da esquerda revolucionária, que ocupa posições em toda parte, encontrando terreno livre pela omissão daqueles que poderiam barrar o seu caminho. A pequena república de Honduras deu um exemplo ao mundo. Desde que a esquerda aprendeu a dominar o jogo eleitoral, sujeitando-o aos seus projetos revolucionários, ela mesmo deixando de lado o golpismo à moda de Fidel Castro, vemos o uso hipócrita desse discurso que exige a omissão daqueles que podem lhe obstar o caminho. O uso da força para conter o mal é legítimo.

Meu temor é que a reação da esquerda em escala mundial acabe por fazer abortar a reação vitoriosa. Se ao menos os Estados Unidos apoiassem, o novo governo teria a chance de se consolidar, fazendo vingar a contra-revolução chavista. Mas nem isso nós temos, então tudo pode acontecer. Torço para que as convicções nacionalistas e democráticas do povo hondurenho o levem a cerrar fileiras com seus governantes, homens egrégios que tiverem que escolher o caminho mais difícil.


DIVULGUEM!!! NÃO HÁ GOLPE DE ESTADO EM HONDURAS!

Julho 1, 2009

Por Reinaldo Azevedo.

Alguns bolivarinos hondurenhos prometeram uma greve geral cobrando a volta do golpista Manuel Zelaya ao poder. A greve não vai acontecer. Também anunciaram ao mundo — esse mundo que aparece na CNN — que haviam feito um protesto reunindo… 10 mil pessoas. Eles não têm nem mesmo uma foto para mostrar. O que há de real em Honduras é o que vocês vêem no vídeo acima, acessado, até agora, apenas 95 vezes. Divulguem-no. A verdade está aí. Milhares de pessoas estão em praça pública dando vivas à democracia e com adesivos em defesa, vejam só!, da Constituição. A Constituição que aquele delinqüente queria transgredir e que, curiosamente, promete violar se voltar ao poder. O que se vê acima tem a feição de um golpe?

Hoje, Zelaya se encontra com Barack Obama, que exige a sua volta ao poder. Deve estar feliz por, finalmente, igualar a sua agenda à de Hugo Chávez. O papelão da Assembléia Geral da ONU, sob o comando de um outro apoiador de tiranetes, Miguel D’Escoto, também ficou evidente. O absurdo é tal, que Zelaya promete desembarcar nesta quinta em Tegucigalpa com interventores. Entre eles, estariam Cristina Kirchner — que certamente não conseguiria andar sem forte esquema de segurança em qualquer rua de Buenos Aires — e Rafael Correa.

Sim, senhores! Eis a nova ordem de Obama. Escrevi aqui no primeiro dia: é aquele que ronrona para a Coréia do Norte e para o Irã, mas fala grosso com os democratas de Honduras — sim, os democratas de Honduras, os que estavam e estão defendendo a Constituição. Na imprensa mundial (!!!), só Tio Rei e Mary Anastasia O’Grady, colunista do Wall Street Journal, dizem o óbvio? Pois é. E eu com a Light? O Sol não giraria em torno da Terra ainda que essa fosse a crença generalizada. Eu já publiquei várias vezes o link da Constituição de Honduras. Faço-o de novo (aqui). Já demonstrei todos os artigos que Zelaya transgrediu e por que a sua deposição foi constitucional.

O país tem uma Carta que, visivelmente, pretende enterrar a memória da ditadura, impedindo o continuísmo. Como já publiquei aqui, o artigo 239 é explícito:
“O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir essa disposição ou propuser a sua reforma, assim como aqueles que o apoiarem direta ou indiretamente, perderão imediatamente seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de qualquer função pública”. Mas não só ele. Vejam o que diz o 42:
“La calidad de ciudadano se pierde (…) por incitar, promover o apoyar el continuismo o la reelección del Presidente de la República”. Dá para ser mais claro?

Ocorre que vivemos um tempo sensível ao populismo virulento, com o, vá lá, comando do Ocidente nas mãos de um demagogo midiático. Ninguém precisa inferir que Zelaya estava dando um golpe. O vídeo que está no post acima traz a sua confissão, numa entrevista concedida à Televisíon VTV, a emissora de… Hugo Chávez.

Barack Obama, agora um suporte de tiranetes bolivarianos, percebeu que tem a chance de posar para o mundo como grande defensor da democracia — ainda que, no caso de Honduras, uma “democracia contra o povo”, já que está claro que a maioria dos hondurenhos não quer a volta de Zelaya. Mas Obama, o demagogo midiático, é fiel a quem o fez ser uma alternativa real de poder: ONGs, imprensa, minorias organizadas etc. E essa gente gosta de ditaduras populares.

E que se note: não é porque o povo quer Zelaya fora que acho que ele tem de ficar fora. Mas porque ele violou a Constituição democrática de seu país. “Por que não o processo de impeachment?”, perguntam. Porque a Constituição de Honduras não é a do Brasil. A deles prevê a deposição, com anuência da Corte de Justiça, para quem viola a Carta. E ele violou. Lula, que não considera Khadafi um ditador e vai receber salamaleques do tirano, diz, no entanto, que Zelaya tem de voltar em nome da democracia. É o chamado raciocínio iluminado pelas trevas.


DIVULGUEM!!! O GOLPISTA ENTREGA O SERVIÇO EM ENTREVISTA À TV DE CHÁVEZ

Julho 1, 2009

Por Reinaldo Azevedo.

O vídeo acima é do dia 26, dois dias antes da deposição de Manuel Zelaya, que governava Honduras. Chega a ser assustador de tão claro. Acompanhado de “organizações sociais” e de um militar visivelmente constrangido — parece ser “o comandante da Força Aérea”, conforme se ouve —, ele vai “resgatar” urnas eleitorais que estavam em um quartel. Por que estavam com os militares? Porque ele havia dado ordens para que fossem eles a realizar o tal referendo, que havia sido declarado ilegal pela Justiça, pela Promotoria e pelo Congresso. Neste vídeo, Zelaya tenta, de modo escancarado, jogar os militares contra a Justiça. E, ao mesmo tempo, cobra destes lealdade absoluta. Vocês lerão, verão e ouvirão. Adiante.

Como os soldados se negassem, então, a fazer o que a Justiça dizia ser mesmo proibido, o demagogo foi pessoalmente “recuperar” as urnas, afirmando que buscaria “um modo” de fazer o referendo. Este vídeo é uma entrevista do palhação à Televisíon VTV, a emissora de Hugo Chávez. O Beiçola de Caracas chega agora ao requinte de documentar seus golpes de Estado em outros países. Vamos a alguns trechos:

LUTA DE CLASSES VAGABUNDA
0min34s – “Sinto que as Forças Armadas estão sendo muito pressionadas (…) pela imprensa, pelos meios de comunicação, por um temor infundado dos ricos de Honduras.”
Reparem como eles falam a mesma linguagem em todo o continente e como os culpados são sempre os mesmos — na Venezuela, no Equador, na Bolívia, na Nicarágua, em Honduras ou no… Brasil. E a imprensa é sempre um deles.

ACABOU A FESTA, BURGUESADA!
Omin54s –
“O Estado burguês e o Congresso Nacional querem governar Honduras, e acabou essa festa. Agora vamos a um processo de Assembléia Nacional Constituinte para o próximo ano. E vai haver deputados operários, camponeses… Também vai haver representantes dos ricos, eles que não se preocupem”.
O Congresso de Honduras, como o de qualquer sociedade democrática, já traz representantes de vários setores da sociedade. Mas Zelaya claramente se oferece para ser uma espécie de porta-voz dos “grupos sociais”, que seriam opostos aos “grupos de poder”. É rigorosamente o que Chávez, Morales e Correa fizeram em seus respectivos países. E observem a linguagem. O presidente que estava nas ruas afrontado uma ordem da Justiça, ao lado de um militar, também desautoriza o Congresso. Eis o governante que Obama e Lula querem que volte ao poder.

OS MILITARES
2min10s – “Os militares superaram os complexos do passado (…), a Guerra Fria, a política de Segurança Nacional (…) As Forças Armadas são hoje um organismo profissional (…) É claro que insistem, provocam (os militares), para criar um estado militar.“
Zelaya está preparando o terreno para defender a tese exótica de que, como os militares são profissionais e não devem fazer política (e isso está certo), então devem acatar qualquer ordem que lhes seja dada — e isso, evidentemente, está errado. Vocês vão ver a sutileza de seu, por assim dizer, pensamento… Um soldado não é obrigado a cumprir uma ordem superior se ela estiver em desacordo com a Constituição, as leis e o código de conduta de sua Força (código este que não pode afrontar aqueles outros textos). Mas vejam que forma a obediência devida tomou na mente perturbada do Zé Trindade de Honduras…

ESTIMULANDO O CONFRONTO ENTRE MILITARES E AUTORIDADES CIVIS
3min40s –
“Se eu cometei um delito como comandante-geral das Forças Armadas, [os adversários] devem agir contra mim, correto? Porque eu sou comandante-geral das Forças Armadas, e [os militares] devem disciplina a seu comandante-geral, senão eles são um outro poder do estado. [os adversários] Deverão proceder contra mim, deverão me prender, deverão me expulsar do país, como costumam, ou mandar me matar”
É de lascar! Ele se refere ao fato de a Justiça ter proibido os militares de participar do referendo. E estes, dada a proibição, fizeram o óbvio: seguiram a lei. Vejam como Zelaya está tentando pescar em águas turvas. Ao chamar para si a punição, tanta se colocar como o herói da tropa. Ao mesmo tempo, diz aos militares: “Sou o comandante; você têm de fazer o que eu mando, ou se trata de poder paralelo”. Vale dizer: usava os militares para chantagear os civis e os civis para provocar os militares. Um velhaco!

O GOLPE
7min05s –
“Há um golpe de estado em ação por parte do Congresso e especificamente da Corte de Justiça (…) A Corte anulou o processo de consulta popular (…) É por isso que urge aqui uma Constituinte, e por isso que urge um processo de consulta, para que ninguém usurpe o direito do povo”.
Bem, ele não poderia ser mais claro. Juntem com a fala anterior. Ele não reconhece a autoridade da Justiça, não reconhece a autoridade do Congresso e acredita que, como comandante-geral das Forças Armadas, os soldados lhe devem obediência. Acho que isso caracteriza um golpe de estado, não?

“REVOLUÇÃO EM CURSO”
7min40s –
“Há um revolução que foi desautorizada pela Corte de Justiça, de forma desleal, de forma arbitrária”.
Revolução? Sim, a revolução que joga no lixo Congresso e Justiça e põe as Forças Armadas a serviço de milícias de apoio a um ditador ou candidato a tanto, a exemplo do que ocorre na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua… Obama e Lula lutam para pôr Honduras nesse grupo. E Honduras, como se vê abaixo, só quer democracia.

Divulguem este post, leitores. “De que adianta, Reinaldo? Vai mudar a coisa?” Não interessa. Divulguemos a verdade. Sempre! É um primado ético e moral.