Uma derrota, sem dúvida uma derrota

Junho 4, 2008

Uma derrota, sem dúvida uma derrota

Recebi não com surpresa, mas com pesar a noticia da aprovação da pesquisa com células-tronco. Ainda não consegui assimilar, como aqueles, que se não por mérito são os máximos representantes do judiciário brasileiro, puderam votar em favor de uma abominação de tal feita. Creio que não se tenha compreendido ainda a real amplitude dessa aprovação, os precedentes que ela abre e a perda esta que causa em todos nós como seres humanos.

Primeiro é preciso especificar em quais aspectos se dão às criticas ao uso de células-tronco e para que propósito elas supostamente serviriam. Essas tais células-tronco, quais os que são contrários à lei tentam impedir o uso, não se tratam das mesmas células-tronco que há anos vêm surpreendendo a todos com seus resultados e seus tratamentos quase que milagrosos, mas sim, de células extraídas diretamente de embriões humanos (os mesmos que geriram a todos nós) causando a morte dos mesmos.

As células que trouxeram curas e tratamento para as mais variadas doenças, e que há anos surpreende e anima os cientistas com os resultados são as células-tronco adultas, retiradas diretamente do paciente, sem os menores efeitos colaterais nem rejeições, essas células tem conseguido os mais variados efeitos, todos muito promissores, o risco de rejeição dessas células é nulo, pois o paciente é tratado com suas próprias células, as quais não enfrentam esse problema.

Essas tais células-tronco, cujas pesquisas agora serão indiscriminadas (fora as “ressalvas” feitas por alguns dos ministros) desde que foram isoladas nos embriões de camundongos, há mais de vinte anos, ainda não trouxeram sequer algum indicio de que possam ser úteis para tratar ou até curar qualquer tipo de doença ou deficiência (como alardeiam que elas vão fazer paraplégicos andarem) muito pelo contrário, até hoje os únicos resultados conseguidos pelo tratamento com esse tipo de células foram cânceres, rejeições, mortes, nenhuma delas promissoras no sentido cientifico. Um quadro feito pelo Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do Pró-vida de Anápolis, exemplifica, e explica bem a diferença entre as células:

O QUE SE DIZ…

A VERDADE…

As pesquisas com células-tronco já trouxeram a cura de inúmeras doenças, como mostram todos os dias os meios de comunicação social.

Todas as curas até hoje foram obtidas exclusivamente com células-tronco adultas (CTA), que se encontram na medula óssea, na polpa dentária, no cordão umbilical, na placenta e até no tecido adiposo. Como elas são retiradas do próprio paciente, não ocorre rejeição. Também não produzem tumores. E – o que é o mais importante – não requerem a destruição de embriões humanos.

As células-tronco extraídas de embriões humanos (CTE) são a grande esperança para a cura de doenças degenerativas.

Até hoje as células-tronco embrionárias (CTE) só produziram tumores, rejeição, desperdício de dinheiro e de vidas humanas. Ninguém foi curado através delas.

Não se pode exigir um sucesso imediato das células-tronco embrionárias (CTE), pois elas só foram isoladas por Jamie Thomson em 1998, portanto há dez anos.

Em 1998, Thomson isolou células-tronco extraídas de embriões humanos. Mas o estudo de células-tronco embrionárias (CTE) em animais existe desde 1981, quando elas foram isoladas em embriões de camundongo. Até agora, nem sequer em animais se obteve qualquer resultado seguro o bastante para se experimentar qualquer terapia em pessoas. Em 2006, a revista Nature comemorava 25 anos de pesquisa com células-tronco embrionárias[1]. Uma história de fracassos.

Pode ser que, com algum tempo de pesquisa, as células-tronco embrionárias (CTE) venham a ter algum resultado terapêutico positivo.

Se isso, por hipótese, acontecesse, os pacientes deveriam tomar imunossupressores a vida inteira, para evitar a rejeição. E, além disso, seria necessária a “produção” de embriões humanos em escala industrial. Seria preciso destruir não milhares, mas milhões de embriões humanos. Um número bem superior ao de embriões atualmente congelados.

Somente as células-tronco embrionárias (CTE) são pluripotentes. As células-tronco adultas (CTA) só conseguem regenerar um número limitado de tecidos.

Segundo Dra. Natalia López Moratalla[2], as células adultas “possuem o mesmo potencial de crescimento e diferenciação das células-tronco embrionárias e substituem muito bem as possibilidades biotecnológicas sonhadas para aquelas”. Segundo ela, “existem cerca de 600 protocolos que utilizam células-tronco adultas, e não se apresentou nenhum com células de origem embrionária”.

Dr. David A. Prentice[3] apresenta-nos um placar de 73 a 0. Setenta e três é o número de patologias até agora tratáveis com células-tronco adultas[4]. Zero é o número de doenças que são tratadas, ou pelo menos aliviadas com as células-tronco embrionárias.[5]

Os grandes cientistas do mundo inteiro colocam suas esperanças nas células-tronco embrionárias (CTE).

James Thomson (o mesmo que isolou em 1998 as CTE humanas) e Ian Wilmut (o criador da ovelha Dolly) decidiram, por motivos puramente utilitaristas, abandonar as pesquisas que envolvem destruição de embriões humanos para concentrar-se nas células tronco pluripotentes induzidas (CTPI). Trata-se de uma técnica revolucionária que permite produzir células pluripotentes através da reprogramação de células da pele. Os resultados em camundongos têm sido promissores, inclusive para o tratamento do mal de Parkinson.[6]

Dra. Natalia López Moratalla é contundente: “As células-tronco embrionárias fracassaram; a esperança para os enfermos está nas células adultas”.

Os embriões humanos congelados, se não forem utilizados para pesquisas, não terão outro destino senão o lixo.

Jogar embriões no lixo é o grande desejo das clínicas de reprodução artificial. Mas eles, se não forem queridos pelos pais, podem perfeitamente ser encaminhados para a adoção.

Adotar um embrião é uma utopia. Isso jamais aconteceria.

Isso já acontece. Nos Estados Unidos, há várias organizações que facilitam a adoção de embriões congelados, entre as quais: Embryos Alive, Snowflakes e National Embryo Donation Center. Na Itália, onde a Lei 40, de 19/02/2004, proibiu o congelamento, e o descarte de embriões humanos, o Comitê Nacional de Bioética (CNB) propôs que os embriões congelados já existentes sejam implantados no útero de voluntárias que resolvam tornar-se mães adotivas, com reconhecimento legal da adoção.[7]

Após três anos de congelamento, os embriões tornam-se inviáveis para a implantação no útero.

Diz o CNB do governo italiano: “Esse argumento não encontra fundamento da literatura científica, pela qual não existem hoje evidências de perda de vitalidade nos embriões, mesmo depois de muitíssimos anos de crioconservação”.

Há embriões com menos de três anos que são inviáveis. Eles morrerão mesmo se forem implantados no útero.

Não há meio de saber se a implantação será ou não bem sucedida, a não ser o “adivinhômetro”. Com toda a sua experiência, Dra. Alice Teixeira[8] afirma: “Desconheço qualquer critério que permita dizer se [o embrião] é viável ou não”.

A liberação de pesquisa com células-tronco embrionárias (CTE) nada tem a ver com a liberação do aborto.

A permissão de matar embriões humanos congelados tem tudo a ver com o aborto. A única diferença é que tais embriões estão fora do útero, enquanto as vítimas do aborto encontram-se dentro do organismo materno. Os grandes interessados do artigo 5º da Lei de Biossegurança são os promotores do aborto. De fato, tal artigo, se for declarado constitucional, criará um perigosíssimo precedente para a legalização do aborto no país. Tal decisão será uma tragédia nacional, comparável à decisão Roe versus Wade, com que a Suprema Corte dos EUA liberou o aborto em todo o país, em 1973.

[1] Disponível em: <>. Acesso em: 24 mar. 2008.

[2] Catedrática de Biologia Molecular e Presidente da Associação Espanhola de Bioética e Ética Médica. Cf. ÁLVAREZ, Inmaculada. Natalia López Moratalla: Pesquisa com células embrionárias fracassou. Zenit 23-04-2008 Disponível em: . Acesso em: 26 abr. 2008.

[3] PhD da Universidade de Kansas, internacionalmente conhecido como perito em pesquisas em células-tronco, membro fundador do “Do No Harm: The Coalition of Americans for Research Ethics”

[4] Essa lista engloba diversos tipos de câncer, doenças auto-imunes, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, imunodeficiências, feridas e lesões, anemias e outras doenças do sangue, doenças dos olhos, do fígado, da vesícula e “outros distúrbios metabólicos”.

[5] Disponível em: <> Acesso em 28 mar. 2008.

[6] CIENTISTAS dos EUA tratam Parkinson com células-tronco “reprogramadas”. Folha de São Paulo. 07/04/2008 – 18h23. Disponível em: Acesso em: 26 abr. 2008.

[7] COMITATO NAZIONALE PER LA BIOETICA. L ’adozione per la nascita (APN) degli embrioni crioconservati e residuali derivanti da procreazione medicalmente assistita (P.M.A). 18 nov. 2005. Disponível em: . Acesso em: 18 mar. 2008.

[8] Livre-docente de Biofísica da UNIFESP/EPM há cerca de 20 anos vem desenvolvendo pesquisa em Biologia Celular, tentando esclarecer os complexos mecanismos de sinalização celular.”

Volto agora, como se pode ver é exatamente o que fundamenta a visão desses cientistas que querem brincar de Deus, a máxima falta de moral, de respeito com a verdade, e acima de tudo com a vida humana, o Maximo desrespeito com tudo de bom que já foi construído até hoje.

Lembro que resumir a disputa entre os favoráveis e os contrários ao assassinato, à eliminação, e ao descarte de seres humanos, mesmo que ainda nos primeiros estágios evolutivos, a uma simples divergência entre religião e ciência, é pura delinqüência, o que se debate, e esta, ou melhor, deveria estar em questão é a moral (esta sim defendida pela igreja), e não a fé, contra a falta de limites éticos a que esses denominados cientistas estão tentando dar a ciência, buscando a idéia que a ciência não deve ter barreiras, e que tudo deve ser permitido sob esse prisma.

O que esta em jogo é toda uma construção milenar de moral e ética, que foi o alicerce da evolução e do crescimento do homem como ser humano, cidadão e individuo, tenta-se com isso desmoralizar a moral, e definir que a partir da simples decisão da maioria (ou de uma pequena parcela de bandidos que se fazem passar por ela) tudo é permissível, e nada é errado.

Segundo o ministro Celso de Mello o que marca o inicio da vida é uma questão moral e que a questão “Não se trata propriamente do início da vida individual, mas em que momento a sociedade decide dar ao ente biológico o status de indivíduo. Esta não é uma questão científica e biológica, mas arbitrária e moral” ou seja, é a sociedade que decide quando uma vida começa, que não é cientificamente que a concepção, ou seja, o momento que se inicia o processo que culmina no nascimento do ser humano, se da (nesse caso no momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo, formando a primeira célula completa do ser humano), mas sim, meramente uma questão de decisão societária (porque nem mesmo moral essa concepção deve ser considerada, pois moralmente nenhum ser humano, quer seja constituindo o pensamento de uma sociedade ou não, tem o direito de decidir quando começa, ou quando termina a vida, isso se trata de uma verdade universal, que deve ser aceita e respeitada por todos) entendendo que se fosse assim, seria simplesmente a sociedade decidir que a vida só começa aos dezoito anos por exemplo, que a eliminação de qualquer cidadão de menor idade seria correta e sob esse parâmetro moral.

A moral é sim, e tem que ser, maior que as próprias decisões humanas, que devem, por sua vez, serem pautadas por ela. Moralmente não há como definir uma data para o inicio da vida, para o começo da vida, pois o ser humano não possui o direito divino dessa questão. Ao tentar se comparar com Deus os cientistas, e todos aqueles que apóiam a decisão do STF fogem da compreensão moral do mundo, buscando eliminar todas as barreiras para as suas fantasias esquizofrênicas de poder.

O perigo ainda se encontra de fato nos precedentes que essa aprovação causa, como a aprovação do aborto. Partindo do pressuposto que é à sociedade que cabe a decisão de quando começa a vida, porque ela não decidiria que ela começa com um dois dias, uma semana, ou até oito, nove meses? Ou que a vida não começa para os anencéfalos, os paralíticos, deficientes em geral? Até para os portadores da síndrome de down? Qual seria o limite de permissão que se daria uma sociedade que não é pautada pela moral, a vida se tornaria uma mera questão de permissão que é dada, esta que poderia ser revogada quando convir, da maneira que fosse interessante. Essas ações nos fazem retroceder aos tempos mais tenebrosos da sociedade, ao período nazista em que a vida não-ariana era tratada como lixo, como escoria, e o comunismo, em que a vida é apenas uma concessão do estado, que pode ser retirada quando ele quiser.

Temo por essas ações que relativizam a vida e a moral às circunstâncias, ao que mais interessa em determinada hora, momento, lugar. Vê-se que agora desmoralizar a moral é o inicio de um processo que talvez não tenha volta, e pelo qual todos vamos padecer.

FONTE: http://siricascudo.blogspot.com/


AS HIENAS, O LEÃO E OS CONTRIBUINTES

Junho 4, 2008
AS HIENAS, O LEÃO E OS CONTRIBUINTES

Ubiratan Iorio

Economista (UFRJ, 1969) Doutor em Economia (EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984), Presidente-Executivo do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP), Fundador do FDR.
Estará no próximo evento do FDR no dia 13 de junho – A REALIDADE POLÍTICA BRASILEIRA: UMA PROPOSTA LIBERAL DEMOCRÁTICA PARA A REVERSÃO DA CRISE com a palestra “AMEAÇAS À LIBERDADE NO BRASIL: ECONÔMICA, CULTURAL, FILOSÓFICA, MORAL

Começo a redigir este artigo, por coincidência, no dia 28 de maio. Nós, brasileiros, trabalhamos até ontem para pagar os impostos, taxas e contribuições que integram nosso endoidante e escorchante sistema tributário – o manicômio fiscal brasileiro, a que se referia sempre o saudoso Roberto Campos. Para alguns, 28 de maio seria algo como o “Dia Nacional de Libertação do Contribuinte”, indicando que a partir de hoje é que começamos a trabalhar para nós e nossas famílias. Mas, infelizmente, não é bem assim, pois, além dos tributos, somos praticamente forçados a arcar com despesas que seriam dispensáveis caso o Estado nos fornecesse bons serviços públicos, tais como as que incorremos com saúde, educação, previdência e segurança privadas.

O contribuinte brasileiro – este pobre coitado, desamparado e humilhado, explorado e ultrajado, mas, mesmo assim, inteiramente sem brios – vive sem ter a mínima noção dos ataques traiçoeiros das hienas que formulam nossas leis tributárias, criadoras de um verdadeiro manicômio com cerca de uma centena de tributos, e das investidas, não menos pérfidas, do leão, como é conhecida a nossa Secretaria da Receita Federal.

A hiena é um animal de nefanda reputação, a ponto de os antigos suporem que suas gargalhadas noturnas eram as de homens armando arapucas mortais para os passantes; que se sua sombra se projetasse sobre um cachorro, este ficaria mudo e paralisado; e que representava a encarnação de espíritos de feiticeiros. Um bicho sem qualquer atrativo, horrendo, furtivo, de pêlo castanho-sujo, andar manquejante, grito áspero, cheiro insuportável e devorador de todos os corpos que encontra no caminho. Um eficiente caçador, especialmente de contribuintes…

E o leão, desde tempos imemoriais, sempre faz questão da sua parte. A expressão “parte do leão” – a maior de todas -, tem origem na fábula de Esopo: “Um dia, o leão, o asno e o lobo decidiram sair juntos para caçar. Ficou combinado que qualquer coisa que eles obtivessem seria dividida entre os três. Depois de matar um cervo de bom tamanho, eles resolveram fazer uma grande refeição. O leão pediu ao asno que repartisse a carne. O asno dividiu a comida em três partes iguais e convidou os amigos a servirem-se. Mas o leão, indignado, atacou o asno, reduzindo-o a pedaços. Em seguida, voltando-se para o lobo, o rei dos animais pediu gentilmente que ele fizesse a divisão em duas partes. O lobo juntou todo o alimento em uma única grande pilha, deixando de lado apenas uma minúscula parcela para si mesmo”.

“Ah, meu amigo”, disse o leão, “como você aprendeu a dividir as coisas de maneira tão justa?”

“Foi fácil! Bastou que eu visse o destino do nosso amigo asno, explicou o lobo.”

Uma lição da fábula acima é que não se deve confiar demasiadamente no sentido de justiça dos poderosos. Essa história de Esopo, como observou em e-mail recente o meu amigo Prof. Francisco Lacombe, pode ter dado origem e inspiração à imagem do leão como símbolo da Receita Federal. Vem dela a expressão “a parte do leão”.

Nada contra os funcionários da Receita, pois, afinal, só fazem o seu trabalho – e bem, diga-se de passagem. O que indigna é a cara-de-pau com que os políticos inventam motivos para extrair cada vez mais recursos de cidadãos e empresas – como na atual tentativa do governo lulista de ressuscitar a CPMF -, sem a menor preocupação quanto à qualidade dos serviços públicos.

A carga tributária, de acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário, pela nova metodologia de cálculo do nosso produto, está em 35,1 % do PIB, mas, pela anterior, já atingiria 39,9 %! Entra governo e sai governo, desse ou daquele partido, a situação não muda: ainda de acordo com o IBPT, no governo Collor a referida carga subiu 3,2 pontos percentuais; no de Itamar, também 3,2; nos oito anos de Fernando Henrique, 4,0 e no governo Lula, até o final de 2007, aumentou 3,4. Desde a promulgação da Constituição dos Miseráveis de 1988, cresceu 16,0 pontos percentuais, o que corresponde a um aumento de 80%, somente comparável aos da miséria e da pobreza… Sempre de acordo com os especialistas do IBPT, um brasileiro que nasce em 2008, com expectativa de vida de 72,3 anos, está condenado a 29,3 anos de trabalhos forçados apenas para pagar tributos. Os ônus incidentes sobre a renda, o patrimônio e o consumo já requerem, em média, 148 dias de esforço por ano do cidadão, o que significa que trabalharemos até amanhã – 27 de maio – apenas para alimentar, mesmo vivos, o hienídeo devorador de orçamentos. Se somarmos a isto, como escrevemos acima, o que gastamos com saúde, educação, previdência e segurança privadas por não confiarmos, com justa razão, nos serviços públicos e mais os custos decorrentes da corrupção e da burocracia, veremos que trabalhamos anualmente até meados de agosto para sustentar o carnívoro fissípede e digitígrado! Portanto, o “Dia Nacional de Libertação do Contribuinte”, a rigor, acontece por volta de 20 de agosto de cada ano…

Nos estados e municípios a tragédia é semelhante: em 2007, em valores e taxas nominais, os tributos federais cresceram R$ 80,2 bilhões (14,1%), os estaduais R$ 21,5 bilhões (10,1%) e os municipais R$ 3,6 bilhões (10,3%).

Se estas formulam as leis que nos asfixiam, o leão cobra a conta, e com uma eficiência extraordinária. Temos uma carga tributária superior à do primeiro mundo, um órgão arrecadador de primeiro mundo e serviços públicos abaixo do terceiro mundo.

Sugiro que visitem sempre o site do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (www.ibpt.com.br). É ótimo para despertar a consciência cívica de quem tem, pelo menos, um pingo de vergonha na cara e pretende exercitar sua condição de dignidade humana. Reúno abaixo algumas informações que busquei no referido website, pedindo a todos que as divulguem à exaustão, para o bem dos cidadãos explorados dêfti paîf…

1. DIA DAS MÃES – Na hora de escolher o presente para as mães, os brasileiros chegam a pagar de imposto até 70% pelos os perfumes e 37% por roupas e sapatos. Se você presentear sua mãe ou esposa com flores, pagará mais de 20% de seu valor em tributos. É o Estado-mãezinha…

2. PÁSCOA – o ovo de Páscoa tem uma carga de 40% do preço e os bombons ela atinge 39%. É o Estado-pascal…

3. DIA DAS CRIANÇAS – os impostos embutidos nos brinquedos chegam a mais da metade de seu valor. É o Estado-brincalhão…

4. FÉRIAS – nas passagens aéreas, há 23,5% de impostos incorporados na tarifa; nas diárias de hotéis, o peso ultrapassa 30%e, nas refeições, é de 33,5%. É o Estado-relaxante…

5. DIA DOS PAIS – se meus filhos me presenteiam com um CD, por exemplo, os impostos chegam a 47%; com um celular, 41%; com uma pasta de couro, 42,7%; e, com um perfume importado, 71%. É o Estado-“paizão”…

6. CAFÉ DA MANHÃ – O brasileiro, quando acorda, já está, sem saber, pagando tributos: 20% de impostos; no pãozinho; 37% na manteiga; 27% no cafezinho; 40% no açúcar; e, no leite, perto de 33%. É o Estado-madrugador…

7. DIA DOS NAMORADOS – você pode nem desconfiar, mas o Estado é seu namorado (a): roupas, 37%; perfumes, 71% (importado) e 60% (nacional); eletroeletrônicos, de 38% a 57%. É o Estado-apaixonado…

8.BEBIDAS – cerveja: 56% de impostos; refrigerante: 47%; copo de suco: 37,8%; cachaça: 83%. É o Estado-saúde!…

9. FAXINA – Para limpar a casa, você paga 38% de impostos nos desinfetantes; quase 38% na água sanitária; mais de 42% no sabão em pó; mais de 43% no álcool; 40% nos detergentes, saponáceos e sabões em barras; e 43% nos amaciantes. É o Estado-faxineiro…

10. ELETRODOMÉSTICOS – Os impostos representam 44% do preço de cada eletrodoméstico e 57% do preço de um forno microondas. É o Estado-hy tech…

11. MACARRONADA – quando a mamma compra massas para fazer uma bela macarronada, paga mais de 30% de tributos; no molho de tomate, 36% e, se usar azeite, mais 37%.

12. CARRO POPULAR – Nos carros ditos populares, o peso dos impostos é de 39,3% do preço final (para um veículo que custe, digamos, 30 mil reais, você paga quase de 12 mil reais de tributos); nos veículos acima de mil cilindradas, a tributação chega a 43,6% do preço. É o Estado-motorizado…

13. TOMANDO BANHO – ao entrar no box de seu banheiro para tomar banho,o Estado entra com você: os impostos passam de 52% no xampu, 42% no sabonete, 47% no desodorante e 29% na água. É o Estado-higiênico…

14. CASA POPULAR – o peso dos impostos corresponde a quase 50% do preço final de uma casa dita “popular”. Até o material básico tem tributos pesados: 35% nas telhas, 34% nos tijolos, 44% nos vasos sanitários; 45% nas tintas. É o Estado-puxadinho…

15. CONTA DE LUZ – de cada R$ 100 da sua conta de luz, 35% correspondem a impostos. Com os tributos indiretos cobrados das empresas ao setor, a carga chega a 45,8%. É o Estado-aceso…

16. EDUCAÇÃO – Os impostos representam quase metade dos preços dos materiais escolares. No caderno universitário, representam mais de 36% do preço; na agenda, na régua, na cola, na caneta e no apontador os tributos correspondem a quase 45% do custo final. É o Estado-CDF…

Estes revoltantes e aterrorizantes exemplos, extraídos – como vimos – diretamente do site do IBPT, são mais do que suficientes para caracterizar um crime: nós, contribuintes, somos explorados vilmente pelo Estado. E, infelizmente, também, para configurar a nossa omissão e passividade.

Por isto e muito mais, a proposta de volta da CPMF é – para usarmos um termo leve – imoral! A remição de sua dignidade ultrajada impõe aos cidadãos que pressionem os congressistas a não aprovarem mais uma dentre tantas indecências! E exige também um movimento cívico pela redução da carga tributária, pelo enxugamento do Estado e por políticas de gestão de recursos públicos absolutamente transparentes.

Xô, hienas! Fora, Leão! Acordai, contribuintes adormecidos!

FONTE: http://www.faroldademocracia.org/


Menos armas, mais mortes

Junho 4, 2008
Escrito por Jon E. Dougherty
30 de maio de 2008
Artigo publicado originalmente no site WoldNetDaily em 10 de outubro de 2003
Os entusiastas do controle de armas de fogo nos Estados Unidos e na Europa Ocidental têm muito a explicar após a divulgação de dois relatórios na semana passada que provam, sem sombra de dúvida, a bárbara loucura que é manter os cidadãos indefesos contra ameaças de criminosos armados.

No primeiro, informou um jornal britânico que as autoridades constataram um aumento de 35% nos casos de violência com armas em 2002. Ironicamente, isso ocorreu no sexto ano desde que Parlamento aprovou uma lei que proíbe a posse da maioria das armas de fogo.
A violência é tão alta agora que a polícia afirma que ela se “espalhou como um câncer” por todo do país, informou o jornal Observer. Para pôr o nível de violência em perspectiva, estão morrendo mais britânicos de violência armada agora do que antes dos idiotas no Parlamento banirem virtualmente todas as armas de fogo.

“Crimes com armas subiram a níveis vistos pela última vez antes do massacre em Dunblane de 1996 e da proibição da posse de armas introduzida no ano depois que Thomas Hamilton, um entusiasta amador do tiro, matou 16 alunos, o seu professor e ele próprio na cidade Perthshire”, relatou o jornal.
“Esperava-se que a medida reduzisse o número de armas disponíveis para criminosos. Agora, o crime com armas está mais alto desde 1993,” disse o Observer. “As novas leis que tornam o porte de arma de fogo um crime passível de uma pena de cinco anos ganharam pouco apoio dos oficiais nas ruas. ‘Não muda nada’, disse um detetive esquadrão anti-drogas que pediu o anonimato.”
Enquanto isso, aqui nos Estados, um estudo do Centro para Controle e Prevenção de Doenças, divulgado na semana passada, não encontrou nenhuma evidência conclusiva que leis de controle de armas restringem o crime violento, suicídios ou acidentes com armas de fogo.
O estudo encontrou “evidência inconclusiva” de que leis de controle de armas, que incluem proibições de certas classes inteiras de armas, possuem qualquer efeito apreciável sobre a violência armada.
É interessante verificar que onde o controle de armas é o mais forte – Nova Iorque, Washington, D.C., Los Angeles, e outras centros urbanos principais – as proibições de armas e rifles, como na Inglaterra, algumas análises afirmam, só estão enchendo os necrotérios de cidadãos inocentes, desprotegidos e obedientes à lei.

“A venda de fuzis de assalto [1] foi banida. No entanto, isso pouco fez para reduzir a criminalidade”, afirma uma análise feita pela National Issues, um site não-partidário na Internet.
O que ajudou a reduzir o crime violento em nossa sociedade? O medo de morrer dos criminosos, foi isso.

Por exemplo, no assunto das leis de porte dissimulado de armas nos EUA e seus efeitos sobre a criminalidade, Jeffrey Snyder, um advogado de Nova Iorque que escreve para o CATO Institute, um think tank libertário, disse que inicialmente “muitas pessoas temeram que [tais leis] conduziriam rapidamente a um desastre: o sangue estaria correndo literalmente nas ruas”.
Mas, depois de mais de uma década desde que a Flórida surpreendeu em 1987 e aprovou uma das primeiras leis de porte dissimulado da nação, “é seguro afirmar que essas predições medonhas eram completamente infundadas”.
“Realmente,” Snyder escreve, “o debate de hoje sobre as leis de porte dissimulado centra na importância em que essas leis podem realmente reduzir a taxa de criminalidade”.
Eu recordo dos anos noventa, à medida que mais estados aprovaram leis de porte dissimulado, o FBI informou reduções constantes nos crimes violentos. A administração anti-arma Clinton saudou estes dados como a “prova” de que as leis federais de controle de armas, que dispõem sobre verificações e proibições de armas de assalto, estavam funcionando. Curiosamente, nem uma vez o FBI mediu o efeito das leis estaduais sobre porte dissimulado nos crimes violentos. Se a agência estudou a questão, eles não tornaram os resultados públicos, mas isso talvez ocorra porque essa informação não é politicamente útil para um regime empenhado em proibir armas.
Apesar da verdade sobre o efeito de uma população armada contra a atividade criminosa, a “sabedoria convencional” que persiste entre nossa elite iluminada é a de que nós, o povo, devemos estar tão desarmados e tão impotentes quanto possível. É quase como se nossos líderes eleitos temessem a população armada tanto quanto os criminosos.
Mas já passou o tempo dos americanos verdadeiramente preocupados com a segurança pública rejeitar este ponto de vista autoritário. Criminosos armados não temem vítimas desarmadas, muito freqüentemente, agora as estatísticas criminais esmagadoramente demonstram, eles matam as vítimas.
Qualquer representante eleito que apóia a continuação das leis destinadas a privar os americanos do seu direito constitucional de possuir uma arma de fogo para a autodefesa merece ser preso, acusado e condenado por homicídio. Suas abordagens de “menos armas” contra o crime é responsável por mais mortes do que se o povo tivesse a “autorização” para se proteger desde o princípio.
Jon E. Dougherty é escritor  e o autor de “Illegals: The Imminent Threat Posed by Our Unsecured U.S.-Mexico Border.”
Publicado originalmente no site WoldNetDaily em 10 de outubro de 2003 – http://www.worldnetdaily.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=35019
Nota:
[1] O Fuzil de assalto é uma arma leve dos modernos exércitos mundiais que se tornou o armamento de dotação individual dos combatentes de infantaria. Este tipo de arma é igualmente conhecido por Espingarda de Assalto, Fuzil Automático ou Espingarda Automática. ( Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fuzil_de_assalto )
Tradução: Wellington Moraes
FONTE: http://www.endireitar.org/content/view/267/1/