Uma derrota, sem dúvida uma derrota
Recebi não com surpresa, mas com pesar a noticia da aprovação da pesquisa com células-tronco. Ainda não consegui assimilar, como aqueles, que se não por mérito são os máximos representantes do judiciário brasileiro, puderam votar em favor de uma abominação de tal feita. Creio que não se tenha compreendido ainda a real amplitude dessa aprovação, os precedentes que ela abre e a perda esta que causa em todos nós como seres humanos.
Primeiro é preciso especificar em quais aspectos se dão às criticas ao uso de células-tronco e para que propósito elas supostamente serviriam. Essas tais células-tronco, quais os que são contrários à lei tentam impedir o uso, não se tratam das mesmas células-tronco que há anos vêm surpreendendo a todos com seus resultados e seus tratamentos quase que milagrosos, mas sim, de células extraídas diretamente de embriões humanos (os mesmos que geriram a todos nós) causando a morte dos mesmos.
As células que trouxeram curas e tratamento para as mais variadas doenças, e que há anos surpreende e anima os cientistas com os resultados são as células-tronco adultas, retiradas diretamente do paciente, sem os menores efeitos colaterais nem rejeições, essas células tem conseguido os mais variados efeitos, todos muito promissores, o risco de rejeição dessas células é nulo, pois o paciente é tratado com suas próprias células, as quais não enfrentam esse problema.
Essas tais células-tronco, cujas pesquisas agora serão indiscriminadas (fora as “ressalvas” feitas por alguns dos ministros) desde que foram isoladas nos embriões de camundongos, há mais de vinte anos, ainda não trouxeram sequer algum indicio de que possam ser úteis para tratar ou até curar qualquer tipo de doença ou deficiência (como alardeiam que elas vão fazer paraplégicos andarem) muito pelo contrário, até hoje os únicos resultados conseguidos pelo tratamento com esse tipo de células foram cânceres, rejeições, mortes, nenhuma delas promissoras no sentido cientifico. Um quadro feito pelo Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, presidente do Pró-vida de Anápolis, exemplifica, e explica bem a diferença entre as células:
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O QUE SE DIZ… |
A VERDADE… |
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As pesquisas com células-tronco já trouxeram a cura de inúmeras doenças, como mostram todos os dias os meios de comunicação social. |
Todas as curas até hoje foram obtidas exclusivamente com células-tronco adultas (CTA), que se encontram na medula óssea, na polpa dentária, no cordão umbilical, na placenta e até no tecido adiposo. Como elas são retiradas do próprio paciente, não ocorre rejeição. Também não produzem tumores. E – o que é o mais importante – não requerem a destruição de embriões humanos. |
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As células-tronco extraídas de embriões humanos (CTE) são a grande esperança para a cura de doenças degenerativas. |
Até hoje as células-tronco embrionárias (CTE) só produziram tumores, rejeição, desperdício de dinheiro e de vidas humanas. Ninguém foi curado através delas. |
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Não se pode exigir um sucesso imediato das células-tronco embrionárias (CTE), pois elas só foram isoladas por Jamie Thomson em 1998, portanto há dez anos. |
Em 1998, Thomson isolou células-tronco extraídas de embriões humanos. Mas o estudo de células-tronco embrionárias (CTE) em animais existe desde 1981, quando elas foram isoladas em embriões de camundongo. Até agora, nem sequer em animais se obteve qualquer resultado seguro o bastante para se experimentar qualquer terapia em pessoas. Em 2006, a revista Nature comemorava 25 anos de pesquisa com células-tronco embrionárias[1]. Uma história de fracassos. |
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Pode ser que, com algum tempo de pesquisa, as células-tronco embrionárias (CTE) venham a ter algum resultado terapêutico positivo. |
Se isso, por hipótese, acontecesse, os pacientes deveriam tomar imunossupressores a vida inteira, para evitar a rejeição. E, além disso, seria necessária a “produção” de embriões humanos em escala industrial. Seria preciso destruir não milhares, mas milhões de embriões humanos. Um número bem superior ao de embriões atualmente congelados. |
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Somente as células-tronco embrionárias (CTE) são pluripotentes. As células-tronco adultas (CTA) só conseguem regenerar um número limitado de tecidos. |
Segundo Dra. Natalia López Moratalla[2], as células adultas “possuem o mesmo potencial de crescimento e diferenciação das células-tronco embrionárias e substituem muito bem as possibilidades biotecnológicas sonhadas para aquelas”. Segundo ela, “existem cerca de 600 protocolos que utilizam células-tronco adultas, e não se apresentou nenhum com células de origem embrionária”. Dr. David A. Prentice[3] apresenta-nos um placar de 73 a 0. Setenta e três é o número de patologias até agora tratáveis com células-tronco adultas[4]. Zero é o número de doenças que são tratadas, ou pelo menos aliviadas com as células-tronco embrionárias.[5]
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Os grandes cientistas do mundo inteiro colocam suas esperanças nas células-tronco embrionárias (CTE). |
James Thomson (o mesmo que isolou em 1998 as CTE humanas) e Ian Wilmut (o criador da ovelha Dolly) decidiram, por motivos puramente utilitaristas, abandonar as pesquisas que envolvem destruição de embriões humanos para concentrar-se nas células tronco pluripotentes induzidas (CTPI). Trata-se de uma técnica revolucionária que permite produzir células pluripotentes através da reprogramação de células da pele. Os resultados em camundongos têm sido promissores, inclusive para o tratamento do mal de Parkinson.[6] Dra. Natalia López Moratalla é contundente: “As células-tronco embrionárias fracassaram; a esperança para os enfermos está nas células adultas”.
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Os embriões humanos congelados, se não forem utilizados para pesquisas, não terão outro destino senão o lixo. |
Jogar embriões no lixo é o grande desejo das clínicas de reprodução artificial. Mas eles, se não forem queridos pelos pais, podem perfeitamente ser encaminhados para a adoção. |
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Adotar um embrião é uma utopia. Isso jamais aconteceria. |
Isso já acontece. Nos Estados Unidos, há várias organizações que facilitam a adoção de embriões congelados, entre as quais: Embryos Alive, Snowflakes e National Embryo Donation Center. Na Itália, onde a Lei 40, de 19/02/2004, proibiu o congelamento, e o descarte de embriões humanos, o Comitê Nacional de Bioética (CNB) propôs que os embriões congelados já existentes sejam implantados no útero de voluntárias que resolvam tornar-se mães adotivas, com reconhecimento legal da adoção.[7] |
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Após três anos de congelamento, os embriões tornam-se inviáveis para a implantação no útero. |
Diz o CNB do governo italiano: “Esse argumento não encontra fundamento da literatura científica, pela qual não existem hoje evidências de perda de vitalidade nos embriões, mesmo depois de muitíssimos anos de crioconservação”. |
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Há embriões com menos de três anos que são inviáveis. Eles morrerão mesmo se forem implantados no útero. |
Não há meio de saber se a implantação será ou não bem sucedida, a não ser o “adivinhômetro”. Com toda a sua experiência, Dra. Alice Teixeira[8] afirma: “Desconheço qualquer critério que permita dizer se [o embrião] é viável ou não”. |
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A liberação de pesquisa com células-tronco embrionárias (CTE) nada tem a ver com a liberação do aborto. |
A permissão de matar embriões humanos congelados tem tudo a ver com o aborto. A única diferença é que tais embriões estão fora do útero, enquanto as vítimas do aborto encontram-se dentro do organismo materno. Os grandes interessados do artigo 5º da Lei de Biossegurança são os promotores do aborto. De fato, tal artigo, se for declarado constitucional, criará um perigosíssimo precedente para a legalização do aborto no país. Tal decisão será uma tragédia nacional, comparável à decisão Roe versus Wade, com que a Suprema Corte dos EUA liberou o aborto em todo o país, em 1973. |
[1] Disponível em: <>. Acesso em: 24 mar. 2008.
[2] Catedrática de Biologia Molecular e Presidente da Associação Espanhola de Bioética e Ética Médica. Cf. ÁLVAREZ, Inmaculada. Natalia López Moratalla: Pesquisa com células embrionárias fracassou. Zenit 23-04-2008 Disponível em: . Acesso em: 26 abr. 2008.
[3] PhD da Universidade de Kansas, internacionalmente conhecido como perito em pesquisas em células-tronco, membro fundador do “Do No Harm: The Coalition of Americans for Research Ethics”
[4] Essa lista engloba diversos tipos de câncer, doenças auto-imunes, doenças cardiovasculares, doenças neurodegenerativas, imunodeficiências, feridas e lesões, anemias e outras doenças do sangue, doenças dos olhos, do fígado, da vesícula e “outros distúrbios metabólicos”.
[5] Disponível em: <> Acesso em 28 mar. 2008.
[6] CIENTISTAS dos EUA tratam Parkinson com células-tronco “reprogramadas”. Folha de São Paulo. 07/04/2008 – 18h23. Disponível em: Acesso em: 26 abr. 2008.
[7] COMITATO NAZIONALE PER LA BIOETICA. L ’adozione per la nascita (APN) degli embrioni crioconservati e residuali derivanti da procreazione medicalmente assistita (P.M.A). 18 nov. 2005. Disponível em: . Acesso em: 18 mar. 2008.
[8] Livre-docente de Biofísica da UNIFESP/EPM há cerca de 20 anos vem desenvolvendo pesquisa em Biologia Celular, tentando esclarecer os complexos mecanismos de sinalização celular.”
Volto agora, como se pode ver é exatamente o que fundamenta a visão desses cientistas que querem brincar de Deus, a máxima falta de moral, de respeito com a verdade, e acima de tudo com a vida humana, o Maximo desrespeito com tudo de bom que já foi construído até hoje.
Lembro que resumir a disputa entre os favoráveis e os contrários ao assassinato, à eliminação, e ao descarte de seres humanos, mesmo que ainda nos primeiros estágios evolutivos, a uma simples divergência entre religião e ciência, é pura delinqüência, o que se debate, e esta, ou melhor, deveria estar em questão é a moral (esta sim defendida pela igreja), e não a fé, contra a falta de limites éticos a que esses denominados cientistas estão tentando dar a ciência, buscando a idéia que a ciência não deve ter barreiras, e que tudo deve ser permitido sob esse prisma.
O que esta em jogo é toda uma construção milenar de moral e ética, que foi o alicerce da evolução e do crescimento do homem como ser humano, cidadão e individuo, tenta-se com isso desmoralizar a moral, e definir que a partir da simples decisão da maioria (ou de uma pequena parcela de bandidos que se fazem passar por ela) tudo é permissível, e nada é errado.
Segundo o ministro Celso de Mello o que marca o inicio da vida é uma questão moral e que a questão “Não se trata propriamente do início da vida individual, mas em que momento a sociedade decide dar ao ente biológico o status de indivíduo. Esta não é uma questão científica e biológica, mas arbitrária e moral” ou seja, é a sociedade que decide quando uma vida começa, que não é cientificamente que a concepção, ou seja, o momento que se inicia o processo que culmina no nascimento do ser humano, se da (nesse caso no momento em que o espermatozóide fecunda o óvulo, formando a primeira célula completa do ser humano), mas sim, meramente uma questão de decisão societária (porque nem mesmo moral essa concepção deve ser considerada, pois moralmente nenhum ser humano, quer seja constituindo o pensamento de uma sociedade ou não, tem o direito de decidir quando começa, ou quando termina a vida, isso se trata de uma verdade universal, que deve ser aceita e respeitada por todos) entendendo que se fosse assim, seria simplesmente a sociedade decidir que a vida só começa aos dezoito anos por exemplo, que a eliminação de qualquer cidadão de menor idade seria correta e sob esse parâmetro moral.
A moral é sim, e tem que ser, maior que as próprias decisões humanas, que devem, por sua vez, serem pautadas por ela. Moralmente não há como definir uma data para o inicio da vida, para o começo da vida, pois o ser humano não possui o direito divino dessa questão. Ao tentar se comparar com Deus os cientistas, e todos aqueles que apóiam a decisão do STF fogem da compreensão moral do mundo, buscando eliminar todas as barreiras para as suas fantasias esquizofrênicas de poder.
O perigo ainda se encontra de fato nos precedentes que essa aprovação causa, como a aprovação do aborto. Partindo do pressuposto que é à sociedade que cabe a decisão de quando começa a vida, porque ela não decidiria que ela começa com um dois dias, uma semana, ou até oito, nove meses? Ou que a vida não começa para os anencéfalos, os paralíticos, deficientes em geral? Até para os portadores da síndrome de down? Qual seria o limite de permissão que se daria uma sociedade que não é pautada pela moral, a vida se tornaria uma mera questão de permissão que é dada, esta que poderia ser revogada quando convir, da maneira que fosse interessante. Essas ações nos fazem retroceder aos tempos mais tenebrosos da sociedade, ao período nazista em que a vida não-ariana era tratada como lixo, como escoria, e o comunismo, em que a vida é apenas uma concessão do estado, que pode ser retirada quando ele quiser.
Temo por essas ações que relativizam a vida e a moral às circunstâncias, ao que mais interessa em determinada hora, momento, lugar. Vê-se que agora desmoralizar a moral é o inicio de um processo que talvez não tenha volta, e pelo qual todos vamos padecer.
FONTE: http://siricascudo.blogspot.com/

Escrito por carloslatorre
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